Adolescentes assumem a sexualidade cada vez mais cedo

16 Nov

O primeiro beijo na boca de Thaís (nome fictício), de 17 anos, foi com uma amiga aos 10 anos de idade. Maysa Martins, de 18, beijou uma garota pela primeira vez quando tinha 12. Hoje, ambas estão muito tranqüilas com essa opção sexual.
Brasileiras saem do armário cada vez mais cedo. Em muitos casos, ainda no início da adolescência. Em meio às meninas que apenas brincam de ficar com as amigas em baladas e festas, por modismo ou para chocar os adultos, garotas muito jovens aproveitam a maior aceitação da sociedade para definir sua sexualidade.
– Já tinha sentido interesse por garotas, mas nunca havia parado para pensar no assunto. Um dia, entrei no banheiro da escola e flagrei um grupo de meninas um pouco mais velhas se beijando. Achei aquilo o máximo! A partir daquele momento, soube o que queria – lembra Maysa. No começo, ela sentiu culpa, remorso, confusão. – Mas durou só três meses – brinca.
Maysa chegou a ter namorados, mas diz que sempre se interessou mais por mulheres.
– O papel do homem na sociedade e no sexo me incomoda. A postura masculina, a relação com o corpo da mulher, todo o machismo… Ser lésbica é, em grande medida, um grito de independência em relação aos homens, inclusive independência sexual – diz a jovem.
Maysa faz cursinho e pretende prestar vestibular para estudar cinema na USP. Há cerca de quatro meses, ela está namorando.
– Foi um negócio meio maluco. Ela era heterossexual, tinha um namorado, e nos conhecemos no cursinho. Primeiro ficamos amigas, foi rolando um lance, e eu me declarei. Deu um rolo, ela sumiu por vários meses, entrou em crise, mas depois reapareceu e começamos a namorar – conta a jovem.
Uma das coisas mais difíceis foi contar para os pais.
– No começo eles ficaram chocados, e foi a família inteira para a terapia. Ao longo dos anos, foram aceitando aos poucos, e hoje nossa relação é ótima – diz Maysa.
A namorada dela revelou sua opção aos pais há pouco tempo e preferiu não participar desta reportagem. Já Thaís pediu para não ser identificada justamente por ainda não ter aberto o jogo em casa.
– É aquela coisa: no fundo eles sabem, e eu não escondo. Mas nunca rolou uma conversa oficial sobre o assunto.
Fora de casa, porém, a jovem diz que o relacionamento com os amigos é franco, e todos sabem de sua opção.
– Na minha turma tem de tudo: homo, hetero, bi, indefinidos, e não existe problema algum – diz.
Moradora da Grande São Paulo, a estudante do 3 ano do Ensino Médio explica que em ambientes majoritariamente heterossexuais, ela procura disfarçar um pouco.
– Não que eu sinta vergonha. É mais para não deixar as pessoas chocadas. Procuro entender também a dificuldade de boa parte da população em lidar com o tema, que é complicado. Não tem porque provocar à toa. Em ambientes mais liberais, não me repreendo nem um pouco – afirma.
A estudante também está namorando, há cerca de dois meses.
– Não é a minha primeira namorada, mas é a relação mais forte que já tive até hoje – conta Thaís.
Se o relacionamento ficar mais sério, ela planeja conversar com os pais.
– Dá um frio na barriga, mas um dia vai ter que acontecer – diz.

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